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ISBN 85-88648-24-5 9788 588648 241 196 páginas R$ 29,90 |
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300 Clientes Habituais Carla de Almeida
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| Corriam os primeiros dias de Fevereiro de 2003. Acabava de completar trinta anos. A minha situação financeira tinha-se deteriorado até ao ponto de perder quase tudo o que tinha. Possuía apenas a empresa de importação e exportação, era a minha derradeira fonte de recursos. Vivia quase há seis anos em Portugal. Com a ilusão de abrir o meu próprio negócio, regressara ao país pouco tempo depois de ter concluído um mestrado em Direito, em Londres. Na origem deste colapso esteve um período negro da minha vida, que começou em 2001. Sofri um terrível acidente de automóvel e fiquei em coma durante três meses. Quando recuperei, era uma mulher endividada. Devia 150 mil euros. Eu pertencia ao género de pessoa frente à qual se deduz que ela tem tudo: independência, atitude e sucesso. Não eram poucas as mulheres que desejavam trocar de posição comigo ou possuir, ao menos, um pouco da minha confiança. O meu sucesso era invejável e, ao volante do meu novo Mercedes CLK prateado, desenrolava a ilusão de triunfo numa falsa sociedade como esta. Por outro lado, os homens sentiam-se atraídos por mim. Arrastava-os como um íman atrai o metal. Antes de os problemas terem começado, o círculo social em que eu me movimentava parecia preocupar-se mais com a minha vida do que eu. Para essas pessoas, tudo o que eu tinha fora obtido ilegalmente. A possibilidade de ser uma mulher de negócios com sucesso não podia dever--se ao facto de possuir um carácter indomável. Para aquela gente isso não era normal. Devido ao meu temperamento determinado e independente e à vontade que tinha de prosseguir a senda do êxito, restava-me conceber um plano de emergência rapidamente. Não houve nada que não me passasse pela cabeça, do suicídio ao tráfico de droga, ou à prostituição. Suicidar-me era o mais simples. Ser traficante de droga? Demasiado arriscado. Havia, ainda, a prostituição. Se era «isso» que me ia resolver o problema, então que fosse! Mas, convenhamos, não era uma opção assim tão fácil de tomar. Admiti-la, era fácil. Confessá-la também. Mas como poderia uma pessoa como eu abalançar-se a uma coisa dessas? Ao discutir seriamente a minha situação aflitiva com um velho amigo, chamado Simão, confidenciei-lhe até que ponto extremo tinha ponderado soluções. Este homem de olhos verdes, alto e elegante, replicou-me que, se de facto me conhecia tão bem como pensava, não esperava outra coisa de mim que não fosse o seguir em frente com a ideia, sem me importar com o que ele dissesse. E ofereceu-se, naquele momento, para ser o meu primeiro cliente. Disse-lhe que sim, alegremente, e perguntei-lhe quando? Simão apressou-se a responder que a próxima noite lhe parecia bem e eu, sem pensar, concordei! |
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