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28/6/2004
Espiã de Bagdá vira notícia no Caderno 2

Assim como o jornalista americano Stephen Kinzer culpa a espionagem americana da CIA pelas sucessivas crises no Irã, a inglesa Corinne Souza, filha de um ex-espião em Bagdá, no Iraque, culpa o SIS – Serviço Secreto de Inteligência britânico – de não ter sido capaz de auxiliar a CIA a impedir os atentados terroristas que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001. Por que os dois serviços falharam?

Corinne acusa a Coroa de envergonhar o povo britânico ao ajudar os americanos na destruição do Iraque e do Curdistão. Termina seu livro mandando a rainha às favas: Espero que a Coroa beba o petróleo que tanto quer. Numa carta aberta enviada há dois anos a sir Richard Dearlove, diretor-geral do SIS, a autora do livro autobiográfico A Espiã de Bagdá argumenta que muitas vidas poderiam te sido salvas no Ocidente se ele e seus homens fossem mais competentes. Seu pai, garante, teria contatos dentro da Al-Qaeda e do mundo islâmico em geral, mas a nova geração de espiões britânicos não tem capacidade para saber o que se passa no Oriente Médio.

Enquanto isso, a Al-Qaeda anuncia novos atentados e promete assassinar o futuro primeiro-ministro do Iraque, Ilyad Allawi, que deve tomar posse na quarta-feira. Allawi é ex-agente da CIA e conspirou para derrubar Saddam Hussein. Quando se aposentou do SIS, o pai de Corinne, Lawrence de Souza, morto em 1986, ficou arrasado com a perspectiva de ver o Iraque passando de mão em mão como uma prostituta rejeitada. Corinne assegura que o pai sabia das intenções dos americanos e ingleses desde o falecido primeiro-ministro Winston Churchill patrocinava golpes no Oriente Médio – Irã incluído, em 1953 – O SIS ficou feliz pela destruição da classe média iraquiana e não derrubou Saddam Hussein porque isso teria significado conduzir a transição do Iraque para a dmocracia.

Ser argumento: não existe diplomacia nos serviços secretos, mas uma guerra política, inclusive entre o SIS e a CIA.  Pai espião da escritora, por exemplo, foi afastado do SIS pela incompetência e racismo de muitos dos componentes de seus quadros, bem como pela falta de cultura de segurança da organização. Trabalhando no exterior e sem imunidade diplomática, os espiões ocidentais se expõem de tal modo que hoje, com as execuções sumárias e o aprimoramento da rede terrorista Al-Qaeda, pouco se arriscam.

Ser espião no Iraque é uma profissão suburbana, garante Corinne. Enquanto os funcionários de carreira têm escritórios em Whitehall, os James Bonds recrutados em Bagdá exercem seu trabalho clandestino em casas sem nenhum conforto ou segurança. E ainda colocam a família em risco.

 
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