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12/7/2004
Espiã de Bagdá no Jornal Estado de Minas

Nova York – A história dos atentados terroristas do 11 de setembro de 2001 não teve início com a derrubada das torres gêmeas em Nova York, há quase três anos. Dois livros recém-lançados nos Estados Unidos revelam o envolvimento dos serviços secretos norte-americano e inglês nos golpes políticos que ajudaram a instalar ditaduras no Irã e Iraque, responsáveis pela reação de muçulmanos que se deixaram seduzir pelos fundamentalistas islâmicos e abraçaram o terrorismo.

Outra história sórdida de golpe e espionagem é contada no livro autobiográfico A Espiã de Bagdá – Editora Landscape, 402 págs. R$ 40, da inglesa Corinne Souza. Relato da vida secreta de um comerciante recrutado pelo SIS, o Serviço Secreto Inglês – também conhecido como MI6 – o livro conta a história do Iraque desde o assassinato do Rei Menino, em 1958, até a desintegração da Inteligência britânica no final da década de 1970.

Corinne conta como a Grã-Bretanha, principal aliada dos EUA nos golpes do Irã e Iraque, foi incapaz de ajudar a CIA a impedir os atos terroristas dos aviões que derrubaram o World Trade Center e atingiram o Pentágono. No livro, o motivo dos golpes – tanto n Irã como no Iraque – é um só: petróleo.

O obtuso colonialismo inglês que ajudou a depor Mossadegh, em 1953 foi uma vingança contra a nacionalização da Anglo Iranian Oil Company. Os ingleses convenceram Washington de que Mossadegh iria transformar o Irã num país comunista. A última desculpa foi a democratização do Iraque. A próxima, só Deus sabe.

Stephen Kinzer, em conversa sobre o conteúdo do livro, diz que os EUA teriam conseguido resultados muito mais positivos se respeitassem a opinião pública muçulmana. Alguns norte-americanos insistem que o sentimento antiamericano, dominante nos países muçulmanos, existe simplesmente porque, nas palavras do Presidente Bush, eles odeiam essa liberdade. Não acredito nisso. Muito desse antiamericanismo baseia-se não naquilo que o s EUA  são mas no que fizemos. Se respeitássemos os países muçulmanos e defendêssemos os ideais da liberdade e democracia, fortes nos corações muçulmanos ou se nos aproximassem do mundo islâmico sem arrogância, então seria possível esperar um recuo nesse antiamericanismo. Com esses países irão ver os EUA daqui por diante só depende da maneira como nós tratamos.

 
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