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‘Money, money, money, money’, diz a música do ‘reality show’ ‘The Apprentice’ e de sua versão brasileira, ‘O Aprendiz’. É exatamente disso -dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro- que se trata o livro recém-lançado pelo empresário Bill Rancic, vencedor da primeira versão nos EUA. Na Record, nem a vencedora Viviane nem seus concorrentes chegaram aos pés do norte-americano em admitir o quanto sua vida é movida por cifrões. ‘Algumas das minhas primeiras lembranças da infância têm a ver com dinheiro. Ganhar dinheiro, contar dinheiro, guardar dinheiro e, logo, logo, investir dinheiro. Mas o mais importante dessas lembranças tem a ver com o quanto parecia curtir ganhar dinheiro.’ Antes do prefácio escrito pelo milionário Donald Trump (o apresentador nos EUA), Rancic mostra a que veio com a seguinte frase do cineasta Woody Allen: ‘Ter dinheiro é melhor que ser pobre, nem que seja só por razões financeiras’. Na introdução, promete que ‘O Aprendiz’ (Landscape, 188 págs., R$ 19,90) não será um livro ‘tradicional sobre vendas’ nem sobre sua história. Ou seja, não é mais um livro de auto-ajuda na linha ‘como fazer amigos e influenciar pessoas’. Só a divisão dos capítulos já mostra que, para ele, promessa não é dívida: ‘Um: O espírito empreendedor. Lições aprendidas sobre objetivos’; ‘Dois: A hora de dar partida. Lições aprendidas sobre valores’, ‘Três: Um bom preço. Lições aprendidas sobre estratégia’... É preciso dizer mais? O contratado de Trump, que dirige um projeto de construção civil do milionário, transforma passagens de sua vida e do programa em ‘lições’ para o sucesso. Nem Denis, vice-campeão no Brasil e acusado de ser arrogante, chegaria perto da falta de modéstia do autor. ‘Aqui vai outra história (...) que tem tudo a ver com as formas criativas com que tendo a olhar para o mundo’, escreve. Pouco menos blablablá é quando fala sobre o ‘reality’, que, para ele, ‘não tem realidade’. Diz que o pai, já morto, teria orgulho dele, apesar da ‘onda ridícula’ que pegou em razão da atuação em ‘O Aprendiz’. E revela que participantes traíam uns aos outros para salvar a própria pele. Como diz Roberto Justus, nosso Trump, nada pessoal, só negócios.
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